Pequenos produtores de leite de Juara começaram a receber ordenhadeiras como parte de um projeto que busca melhorar as condições de trabalho no campo, aumentar a qualidade do leite produzido e contribuir para o fortalecimento da bacia leiteira do município.
A entrega dos equipamentos ocorreu na última sexta-feira na sede do Sindicato Rural de Juara e contou com a participação da Secretaria Municipal de Agronegócio, representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e produtores rurais de associações do município.
Segundo a secretária de Agronegócio de Juara, Jaqueline Anacleto, os equipamentos são provenientes de uma iniciativa ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária e integram uma pesquisa realizada em parceria com profissionais da UFMT, com o objetivo de avaliar os impactos da ordenha mecanizada na rotina, na saúde dos produtores e na qualidade do leite.
“Essas ordenhas vieram do Ministério da Agricultura e Pecuária para os nossos pequenos produtores. Está fazendo parte de uma pesquisa para ver como pode ser melhorada a vida do produtor rural aqui de Juara”, explicou Jaqueline.
Segundo Jaqueline, durante a primeira etapa do projeto, os produtores passam por avaliações que incluem aferição da pressão arterial e medidas corporais, como circunferência dos braços, pescoço e cintura.
A proposta é realizar novas avaliações posteriormente, após o período de utilização das ordenhadeiras, para verificar possíveis mudanças.
A secretária destacou que muitos produtores ainda retiram grandes quantidades de leite manualmente, o que exige esforço físico diário.
“Tem produtor que produz 200, 300 litros de leite manualmente. Um dos benefícios da ordenha é justamente melhorar a qualidade de vida dele e também melhorar a qualidade do leite”, afirmou.
Pesquisa também vai analisar a qualidade do leite
Além das avaliações relacionadas à saúde dos produtores, o projeto também prevê análises do leite antes e depois da utilização dos equipamentos.
Os produtores receberão recipientes para a coleta do leite, que será congelado e encaminhado para Cuiabá, onde passará por análise.
Depois de aproximadamente três meses de utilização das ordenhadeiras, uma nova coleta será realizada para comparação dos resultados.
A expectativa é verificar se a ordenha mecanizada poderá contribuir também para melhorias na qualidade do produto.
Jaqueline Anacleto afirmou que a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer novamente a atividade leiteira em Juara, que, segundo ela, vem perdendo produtores nos últimos anos.
“Estou muito feliz por fazer parte desse projeto e por termos trazido essa iniciativa para Juara, porque queremos fomentar novamente a nossa bacia leiteira, que há algum tempo percebemos que caiu bastante”, declarou.
A secretária informou ainda que existe a previsão de chegada de mais 28 resfriadores de leite, ampliando a estrutura disponível aos produtores.
Seleção priorizou produtores com maior produção
De acordo com Jaqueline, a seleção dos beneficiários levou em consideração principalmente as regiões onde ainda existe concentração de produtores de leite.
Foram priorizadas associações de Águas Claras e do Projeto de Assentamento PA Vale do Arinos. Os produtores interessados foram convidados a procurar a Secretaria de Agronegócio, e a equipe avaliou as necessidades de cada um.
“Conversamos com os produtores, divulgamos nos grupos quem tinha interesse pelas ordenhas e fomos verificar quem realmente estava precisando e quem tinha uma quantidade maior de leite. Então priorizamos esses produtores”, explicou.
Presidente da AMPLAC destaca redução do esforço físico
O presidente da Associação dos Moradores e Pequenos Produtores de Leite de Águas Claras (AMPLAC), Edivaldo Dantas, também destacou a importância dos equipamentos para quem trabalha diariamente na produção de leite.
Segundo ele, a ordenha manual exige bastante esforço físico e a mecanização poderá representar uma melhoria significativa na rotina dos produtores.
“Para o produtor tirar o leite na mão é difícil. Eu falo como produtor. Ter uma ordenhadeira para descansar o corpo do ser humano já ajuda bastante”, afirmou.
Edivaldo também falou sobre outros projetos desenvolvidos pela AMPLAC em benefício dos moradores da região, entre eles a busca por melhorias na infraestrutura viária.
Segundo ele, a associação participou da elaboração de projetos relacionados à pavimentação asfáltica na região de Águas Claras, com previsão de avanço posteriormente em direção a outras localidades.
Produção é comercializada por cerca de R$ 2,50 o litro
O presidente da AMPLAC informou que os produtores da região atualmente comercializam o leite para uma empresa localizada em Brasnorte.
O preço básico informado está em torno de R$ 2,50 por litro, podendo sofrer alterações conforme a quantidade produzida e outros critérios de valorização do produto.
Tecnologia pode reduzir contato com o leite
A presidente da Apruterra, Edilamar Burile, também ressaltou que a chegada das ordenhadeiras representa um avanço para os pequenos produtores, principalmente para aqueles que ainda realizam todo o processo de forma manual.
Segundo ela, além de economizar tempo, a tecnologia poderá contribuir para melhorar a higiene e a qualidade do leite.
“Para nós, esse benefício vem para os produtores, porque a maioria tira o leite manualmente. A gente sabe da necessidade de ter tecnologia. Com as ordenhadeiras, eles vão ter mais tempo, vão tirar o leite mais rapidamente e acredito que também haverá mais qualidade”, destacou.
Edilamar relembrou ainda sua própria experiência com a atividade leiteira. Criada na fazenda, ela contou que, quando era criança, ajudava a família na retirada manual do leite.
Segundo ela, a família chegou a estabelecer uma rotina em que cada filho cuidava de duas vacas e a produção ajudava a custear as despesas necessárias para frequentar a escola.
Hoje, Edilamar continua conhecendo de perto as dificuldades enfrentadas pelos produtores que ainda utilizam a ordenha manual.
Para ela, uma das principais vantagens do equipamento é reduzir o contato direto do leite com o ambiente durante o processo.
“Com a ordenhadeira, o leite vai direto da vaca para o resfriador, então não tem contato. Eu acredito que vai melhorar muito”, afirmou.
Fortalecimento da bacia leiteira
A iniciativa reúne tecnologia, pesquisa e apoio aos pequenos produtores com o objetivo de contribuir para a retomada da atividade leiteira em Juara.
Além de facilitar o trabalho diário no campo, a expectativa é que a mecanização da ordenha ajude a melhorar as condições de saúde dos produtores, a higiene durante a retirada do leite e a qualidade do produto entregue ao mercado.
Para a Secretaria de Agronegócio, a chegada das ordenhadeiras e a previsão de novos resfriadores representam mais uma ação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar e da produção de leite no município e na região do Vale do Arinos.
r: Show de Notícias
Publicado em 07 de Outubro de 2026 , 12h28 - Atualizado 07 de Outubro de 2026 as 12h36